quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Teoria e prática juntas

Os textos deste semestre de linguagem e didática, especialmente os aspecto que pretendo abordar, me proporcionaram reflexões significativas em diversos modos. Muitos dos conteúdos trabalhados neste curso já eram aplicados em sala de aula por nós, professoras sem graduação. A experiência, através das tentativas, nos levava ao caminho mais apropriado. Hoje temos embasamento teórico para sustentar nossos argumentos de nossa prática. É claro que compreender melhor o desenvolvimento cognitivo da criança, como ela aprende, ler e tomar conhecimento de estudos pedagógicos de vários autores atuais e de muitos anos, incrementa nosso trabalho. Não é exatamente o mesmo trabalho de antes, ele tem mais consistência. É difícil de explicar, mas percebo claramente em minha prática diária. Quando fiz o magistário, há mais de vinte anos, já trabalhávamos com centro de interesse, então fui treinada para captar e trabalhar com um tema gerador. Se eu disser que é uma constante em minha sala de aula, não é verdade, pela acomodação e falta de valorização algumas coisas vão se perdendo pelo caminho. Porém, volto eu a elogiar este curso, me deu um novo ânimo e comecei a retomar práticas deixadas para trás. Neste momento estou trabalhando em um projeto surgido de um comentário de um aluno que seu pai havia comprado um video game em um anúncio classificado. Os alunos ficaram interessados no assunto e através deste tema gerador estamos trabalhando a escrita do classificado, abreviaturas, texto rápido e objetivo. Partimos da poesia, trabalhamos com rima, depois a produção de um jornal e junto conteúdos de ciências, matemática e estudos sociais. Lendo os textos de didática me deparei com Freinet e a “imprensa escolar”. Marquei uma visita ao DMAE porque estamos trabalhando água e meio ambiente e descobri que farei o que Freneit chamou de “aula-passeio”, agora sem medo de usar a palavra passeio. Foi corrigida por colegas que não deveria usar esta palavra, e respondi que Freinet já usava, no começo do século passado!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Tema Gerador

Tema gerador não é um conteúdo que o professor acredita que seja importante que o aluno aprenda. Tema é o assunto a ser tratado, trabalhado, pesquisado. Gerador porque se espera que a partir do estudo do tema nasça, desenvolva, produza ação. Tema gerador deve produzir nos participantes desta escolha interesse na pesquisa para aprender algo além do que já conhecem e principalmente ação para modificar seu presente construindo um futuro melhor. Alunos e professor aprendem juntos, com relações afetivas, democráticas, valorizando o conhecimento de cada um e garantindo a todos a possibilidade de se expressar. O processo de aprendizagem é coletivo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Aprender a Ler

Participar do processo de aprendizagem das crianças é uma satisfação inexplicável. A etapa da alfabetização sempre foi abstrata no meu ponto de vista. Agora, tomando conhecimento de algumas teorias sobre alfabetização confirmo que esta seja a fase mais desafiadora do ensino. O desenvolvimento da aprendizagem acontece pela elaboração de hipóteses. A pessoa para aprender a ler e escrever precisa entrar no mundo da escrita de dois modos, apropriando-se da escrita, pela alfabetização e precisa identificar os diferentes usos e funções da escrita vivenciando diferentes práticas de leitura e de escrita, pelo processo de letramento. É preciso que aconteça simultaneamente e seja indissociável, se não a criança não verá sentido em aprender. A criança precisa conviver com textos reais, com práticas reais de leitura e de escrita. Para alfabetizar a professora precisa gostar de alfabetizar. Comparo sempre a leitura de texto com uma partitura. Para quem não conhece são sinais gráficos (desenhos) que não fazem sentido, porém, quando alguém lê e coloca o som é encantador. E através dela se pode ir além. Quando começa um ano letivo a professora recebe uma criança ou adulto que ao olhar para um livro, um texto, só vê desenhos indecifráveis, e no fim do ano, vê a pessoa lendo e compreendendo aquilo que eram traçinhos. Quem alfabetiza dá acesso ao um mundo maravilhoso que até então era desconhecido para essa pessoa. Através da leitura ela pode tomar conhecimento do que desejar, sobre o assunto e a época que quiser, conhecer toda a cultura que ao longo dos séculos vem sendo preservada pela escrita.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EJA

Pessoas excluídas das atividades sociais, econômicas e políticas não aprendem a participar destas atividades. Segregar grupos é criar um mundo a parte. As pessoas não precisam ser aceitas precisam ser respeitadas. A capacidade de aprendizagem dos adultos está mais relacionada ao nível de saúde, educativo, de experiência profissional, de bem-estar, que da idade. Um conjunto de características estrutura o adulto, com suas habilidades e dificuldades. As práticas pedagógicas em EJA não podem ser baseadas nas teorias do desenvolvimento que se referem predominantemente à criança e ao adolescente, estas não auxiliam na compreensão da aprendizagem do adulto. Quase não há estudos em relação à aprendizagem de adultos. Além dos fatores sócio-econômicos de sobrevivência a própria escola, por desenvolver um trabalho indevido na EJA acaba afastando os alunos, demonstrados nos altos índices de evasão e repetência. Alunos que nunca frequentaram a escola desconhecem regras específicas e uma linguagem própria da escola fazendo o aluno sentir-se inadequado ao ambiente, abandonando-a. Na EJA cada indivíduo traz suas vivências, seu ponto de vista sobre cada assunto e seus valores, tornando um local rico para as trocas e aprendizagens. Porém o professor da EJA deve estar preparado, conhecer e trabalhar de acordo com a realidade e necessidades de seu aluno e estimulá-lo a seguir em frente.