Esta semana chamei pela terceira vez a mãe de um aluno para conversar e desta vez ela veio. Muito contrariada reclamou que mandei bilhetes para ela e se não obtive resposta foi porque ela não sabe ler! Me impressionou demais ver aquela jovem, mãe de quatro filhos, os mais velhos adolescentes, e ela não saber ler.
Reclamou da dificuldade que é criá-los, que a cada semana é chamada em uma escola e que fazia o que podia para sustentá-los. Ao longo da conversa pecebeu que não chamei-a para acusá-la de nada, que estava querendo ajudar o menino que mostra em seu comportamento que PRECISA de atenção. Combinamos termos uma conversa com ele para que o menino perceba que estamos todas tentando o melhor para ele e que ele também tinha que tentar cumprir algumas combinações para que tudo andasse bem. Foi uma conversa que começou tensa, mas se resolveu.
Penso que toda vez que converso com uma mãe conheço muito mais do meu aluno. Ele é o que pode ser na estrutura que vive, muitas vezes ele é bem melhor pela situação de vida que tem.
Também é função do professor ajudar seu aluno a crescer, aceitar as condições que a vida lhe oferece hoje, isto não quer dizer ser submisso, mas é importante ajudá-lo a perceber que ele construirá o próprio futuro e não deve se abater e desistir com os obstáculos. A tarefa do educador não se restringe a conteúdos.
Um comentário:
Com certeza, Andréa! Quanto mais conhecemos sobre o contexto do aluno, mais podemos ajudá-lo a crescer. Muitas vezes, ele está em círculo vicioso de fracaso, que também pode incluir toda a família, que vai afundando cada vez mais essa criança, que mais dia, menos dia acaba desistindo. No momento em que a professora mostra-se preocupada com ele tanto para a própria criança, quanto para a família e consegue resgatá-lo dessa situação, é o resgate de uam vida. A Ana Beatriz escreveu algo semelhante no seu blog dessa última semana. Vocês podem trocar algumas figurinhas. ;-)
Parabéns! Bom trabalho!
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