Na última aula presencial comentamos sobre nossa prática em sala de aula e já surgiu para alguns a ideia do tema do TCC. Ainda não estou bem certa, tenho filmado muito meus alunos. Fotografias já fazem parte de minha sala de aula e no final do ano cada aluno recebe um cd com as fotos. Este ano descobri as filmagens. Minha proposta para este ano era que trouxessem notícias sobre Porto Alegre. Em um determinado dia combinado, cada um contaria a notícia que trouxe e a professora filmaria da mesma forma que os noticiários da tevê. A filmagem mexeu com todos os alunos, de formas diferentes. Uns queriam ser filmados mesmo sem preparar nada, outros não gostaram da sua filmagem e queriam gravar novamente, outros ficaram na frente da filmadora e não sabiam mais o que haviam preparado e outros nem queriam chegar perto da filmadora. Resolvemos filmar somente quem quisesse, depois vemos as filmagens e tentamos auxiliar os colegas para melhorar a postura, a voz, o olhar. Esta troca tem aproximado mais os alunos. Eles estão sabendo ouvir a opinião dos colegas, entendendo que o colega está interessado em seu desempenho. Todos estão envolvidos, eu poderia dizer que é um trabalho em equipe, onde cada um faz sua parte. Para o TCC tenho dúvidas, para a sala de aula a filmadora já é ferramenta de trabalho.
domingo, 13 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Visão construtivista
Na prática, meu trabalho segue a mesma proposta do curso que é a aprendizagem pela autoria, incentivando a autonomia, a integração e a cooperação. Em reunião com os pais explico minha proposta e reforço nossa participação na construção da sociedade.
Tenho um aluno que tem muitas dificuldades em partilhar, sejam ideias ou materias. Recebo constantes reclamações dos colegas por suas atitudes. Em mais de uma oportunidade já comentei com a mãe dele sobre sua postura. Ela deixou claro que talvez seja comigo o problema, que em outros ambientes isto não acontece. Me perguntou se minha prática era uma recomendação da escola, portanto todas, ou outras professoras trabalhavam assim ou era uma linha que somente eu seguia. Deixei claro que não havia motivo para discussão, eu apenas estava expressando uma constatação, que trabalho desta forma por acreditar num resultado positivo. Desejo que ele viva hoje em um ambiente agradável de aprendizagem e que esta aprendizagem seja uma boa base para a construção do seu conhecimento. Não discuti nem me ofendi, mas fui procurar as professoras que ele teve nos anos anteriores que me confirmaram as atitudes do menino e a negação da mãe. Lendo um texto de Fernando Becker, sobre construtivismo, encontrei esta frase: "Se o professor conceber o conhecimento do ponto de vista construtivista, ele procurará conhecer o aluno como uma síntese individual da interação desse sujeito com o meio social (cultural, político, econômico, etc)." Meu aluno age assim por sua bagagem, porém a escola também é um meio que ele frequenta, não está acabado, vou continuar incentivando meu aluno a partilhar.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Brincar
Em uma reunião uma colega citou algo que aprendeu comigo, imediatamente lembrei e sempre comento que aprendi com ela, a brincar com meus alunos. Não trabalhávamos na mesma série, mas volta e meia ela entrava na minha sala, dava palpites, trocávamos ideias e materiais. Todas as brincadeiras que fazia com meus alunos era trabalhando algum conteúdo. Ela me dizia para brincar com eles, que eu deixasse-os brincar livremente, sem minha interferência ou regras estabelecidas por mim. Me chamava de "carrasca". Eu achava que perderia o controle, que viraria uma bagunça. Fui experimentando e foi dando certo. Mais tarde na interdisciplina de Ludicidade, aprendi a importância do brincar. Tânia Fortuna afirma que o brincar não morre, se espalha pelo nosso ser de tal modo que permanece e assume novas formas e que o trabalho é uma forma de brincar para muitos adultos quando assume características de ser instigante, de engendrar mistérios de propiciar o contato consigo mesmo e com o outro. Aprendi a brincar e deixar brincar mais livre. Tenho sentido o meu trabalho, minhas aulas, mais alegres, divertidas e leves.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Copiar não é compreender
A mãe de um aluno veio falar comigo preocupada que seu filho não copiava todas as atividades. Este menino copia realmente muito pouco, porém participa muito em todos os momentos. Para meus alunos costumo fazer duas brincadeiras: uma dizendo que este aluno será um tradutor simultâneo, aquele que vemos na tevê na entrega do Oscar, pois ele fala junto comigo com completa compreensão; a segunda é em relação a cópia de uma maneira geral, digo que se eu valorizasse demais a cópia trabalharia com máquinas copiadoras e não com alunos. Para as mães digo que o mais importante é que o aluno participe das atividades e compreenda, o registro acontecerá em algum momento e que a cópia não garante a compreensão. A compreensão deve ser percebida na mudança de comportamento que é mais importante que o registro. Tive uma aluna que tinha um caderno perfeito, mas pouca compreensão do que copiava. Tem uma frase da Emília Ferreiro que sempre me lembro: "Ler não é decifrar, escrever não é copiar".
domingo, 16 de maio de 2010
No exercício da profissão, na tentativa de acertar e melhorar, vamos refletindo e observando, inclusive a prática de colegas. Percebo muitas vezes o quanto dificultam o próprio trabalho agindo de forma grosseira e usando palavras de rejeição com seus alunos. Para Piaget a afetividade exerce profunda influência no desenvolvimento intelectual. Estas atitudes podem levar o aluno a sentir-se marginalizado, uma situação que talvez ele acredite e se habitue. O excesso de trabalho dos profissionais de educação faz com que se extressem e rapidamente percam o equilíbrio emocional. Se trabalhamos demais e ganhamos pouco, o alvo a ser atingido é outro, em nada contribui atingir o aluno. Ao contrário, devemos estabelecer uma relação de afetividade e desenvolver a reflexão crítica e a autonomia, como sugere Paulo Freire, para que ajam conscientes de sua situação, sem sentirem-se oprimidos.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Afetividade
No exercício da profissão, na tentativa de acertar e melhorar, vamos modificando nossa prática. Todos sabemos que a afetividade está relacionada com a aprendizagem. Observando a atitude de colegas percebo o quanto dificultam o próprio trabalho agindo de forma grosseira e usando palavras de rejeição com o seus alunos. A resposta deles só poderá ser de defesa, ou seja, um comportamento que tumultue a aula e agrida a professora. Leva o aluno a sentir-se marginalizado, uma situação que talvez ele se habitue. É comum determinados alunos ficarem rotulados na escola. Quando a professora vê este aluno em sua lista já tem uma imagem dele sem realmente conhecê-lo. O excesso de trabalho dos profissionais de educação faz com que se estresse e rapidamente percam o equilíbrio emocional. Se trabalhamos demais e ganhamos pouco, o alvo a ser atingido é outro, em nada contribui agredir o aluno. Ao contrário, devemos estabelecer uma relação de afetividade e desenvolver a reflexão crítica e a autonomia para agirem sem sentirem-se oprimidos.
domingo, 2 de maio de 2010
Fazer escolhas
Faz algum tempo, toda vez que aparece uma proposta de aprendizagem, seja para mim ou para meus alunos, pergunto: "Para quê?" "No que será útil para meus alunos aprenderem este conteúdo?" Se algum tempo atrás eu me achava criteriosa, agora sou mais. Em uma reunião na escola uma professora trouxe uma proposta de atividade que ela usava há mais de vinte anos com seus alunos. Reforçava em cada explicação que "desenvolve um monte". Ela está fora da sala de aula há muito tempo e parece que não faz nenhum curso de atualização, até seu argumento é pobre. Para incentivar a aprendizagem é necessário um embasamento teórico que evidencie o que se está afirmando. Desenvolvo minha aula norteada pelos conteúdos programados, mas principalmente pelo interesse e curiosidade de meu aluno sobre algo. Prontamente tomo as providências para juntos desfazermos as dúvidas. Só prolongo ou desenvolvo um assunto se penso que de alguma forma será útil ou interessante em algum momento da vida dele. O professor tem nas mãos a chance de mostrar ao aluno que há um mundo a ser revelado, evoluído, inventado, e o indivíduo tem que se habituar a fazer suas escolhas, inclusive na aprendizagem.
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