quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Eleição de Diretores nas Escolas Estaduais

Hoje teve eleição de direção nas escolas estaduais. Propus-me a ajudar na escola onde trabalho, apesar das inúmeras coisas que tenho para fazer. Transcorreram tranquilamente e parece que a diretora será reeleita. Ela é uma pessoa muito eficiente, dedicada, prestativa e ótima administradora. Porém, como já comentei em outra oportunidade é a mesma diretora na escola há mais de 12 anos. As pessoas precisam mudar de posição para terem outros pontos de vista. Por mais empenhada que ela esteja e faça cursos, a visão é praticamente a mesma. Há queixas e comentários que acontecem pelos corredores da escola que muitas vezes chegam aos ouvidos dela de forma distorcida, não trazendo benefício a ninguém. As pessoas precisam sair de suas rotinas, que apesar de se queixarem que são estressantes, elas acreditam que garantem a continuidade do que já conhecem e têm medo de experimentar o novo. Às vezes penso que os professores esquecem que a prioridade da escola é a educação, é o aluno, é a parte pedagógica. Estamos voltados para uma cultura capitalista que se precisa arrecadar dinheiro para a escola comprar, montar, consertar...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Planejamentos & Registros

Com o passar do tempo fomos adquirindo experiência, com a demanda de trabalho aumentando, aos poucos vamos deixando de fazer registros. O planejamento, os objetivos, o registro escrito de como vamos avaliar nosso aluno, que aprendemos lá no início de nossa caminhada, ficaram para trás. Na última aula presencial com a professora Caroline e a tutora Cristiane foram esclarecedoras e ao mesmo tempo provocativas as colocações que fizeram a respeito dos registros. A importância a gente sempre soube. Há planejamento, objetivos, metodologia, atividades preparadas e quais materiais serão usados. No entanto, é pensar pequeno achar que é possível ter uma proposta ou projeto apenas na cabeça da professora da classe. Quando se registra se tem a oportunidade de rever e refazer, detalhar, questionar nossa própria opinião e nossos fazeres. A partir deste semestre venho repensando sobre os meus registros.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A Escola

A escola é o lugar cultural onde o conhecimento é construído através de experiências e trocas, reconhecido pela pluralidade de linguagens e classes, onde há convergências e discussões, onde professores e alunos são autores de suas aprendizagens. Professores e alunos lêem o mundo conforme a teoria pedagógica empregada. Ela poderá silenciar suas vozes, marginalizá-los ou atender as necessidades da coletividade. Em uma sociedade democrática, a escola não pode servir a interesses de grupos. Ela precisa ser defendida como espaço público democrático e plural. Propostas de descentralização, interdisciplinaridade, ensino globalizado, autonomia e participação, são palavras muito frequentes nas escolas, mas só farão sentido se estiverem integradas a reformas educacionais que visem uma educação democrática, solidária e crítica, formando pessoas capazes de realmente exercerem sua cidadania. É na escola pública que se propaga a solidariedade, a democracia e a justiça social.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Análise dos PAs

Acredito que nenhum outro curso proporcione aos seus alunos a quantidade de trocas que o PEAD nos estimula. É um constante “olhar o trabalho do outro”. A análise do PA dos (a) colegas poderia ser constrangedor se não soubéssemos o quanto é enriquecedor, mais para quem analisa. Enquanto analisamos, refletimos sobre cada item, imediatamente associamos com o nosso trabalho, surgindo novas ideias e começamos a pensar não só no trabalho como produção final, mas como caminhada. Tal qual a tarefa de professor (a). Não somos capazes de garantir uma produção final de altíssima qualidade, mas nosso percurso sempre repensado, refeito quando necessário, ressignificando conceitos e ideias, maiores as chances de aprimorarmos, fazermos um trabalho final melhor. Em relação ao aluno, um cidadão mais consciente e feliz, em relação a sociedade, torná-la mais a cara que queremos. (Não vou dizer construir uma sociedade mais justa, democrática e solidária porque sempre termino meus textos assim.)

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

EJA

Como já afirmei diversas vezes, nunca pensei em alfabetizar, adulto menos ainda. Há alguns anos, em uma entrega de avaliação pedi que uma mãe assinasse a lista de presença e ela me disse que não sabia escrever o nome. Fiquei muito surpresa. Como uma pessoa que morava na cidade, em um bairro central, não sabia ler? Comecei a fazer uma campanha com o filho para que ele incentivasse a mãe a voltar a estudar. Toda vez que eu ouvia de uma mãe “precisei parar de estudar” eu perguntava por que ela não voltava. Algumas aceitaram minha provocação.
Assim como a criança precisa passar por certas fases do desenvolvimento intelectual, descritas por Piaget, para se alfabetizar, o adulto também. Não as mesmas fases, mas precisa alicerçar sobre alguns requisitos. A diferença é que provavelmente o adulto tenha tido experiências negativas em relação à escola que o motivou a abandoná-na. O parar de estudar pode ter um significado bem doloroso que precisa ser superado. A fragilidade de sua auto estima naquele momento e hoje, talvez não seja diferente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O aprender

Quando comecei a trabalhar na escola pública estadual tive uma colega muito competente profissionalmente e ativa no movimento sindical. Nesta escola muitas pessoas se posicionavam politicamente, não partidariamente. Havia discussão sobre conteúdos, práticas de ensino, participação no movimento sindical, todos expressavam sua opinião sobre a política dentro e fora da escola. Nestas discussões sempre ficou evidente que educação está dentro de um contexto social e que cultura, economia, política estão interligadas em uma sociedade, e em muitas sociedades servem a interesses de poucos. As minhas práticas e postura profissional também são frutos destas discussões. Mostra-me claramente “o aprender com o outro” e “o aprender como transformação na convivência”. Na escola em que trabalho hoje as pessoas pouco discutem e entendem posiciona-se politicamente como vinculado a um partido político. Nem por isto desisti, penso que quem trabalha com educação, especialmente com criança, sabe que se precisa ter paciência e persistência.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Se oportunizar a novas propostas

Esta semana em uma reunião de CAT na escola em que trabalho, discutíamos o que deveria ser requisito básico para o aluno ser aprovado para o ano seguinte. Especificamente falávamos de matemática. Alguém dizia que deveria ser trabalhada bem a multiplicação para depois entrar na divisão, e que isto não deveria ocorrer no segundo ano. Lembrei das aulas de “representação do mundo pela matemática”, e na intenção de mostrar outra proposta de trabalho, disse que como vimos na interdisciplina, trabalha-se as quatro operações simultaneamente, que não há necessidade de trabalhar separadamente, mas acrescentei que mais importante é a segurança do professor, se ele não se sente seguro melhor não trabalhar. Algumas colegas me bombardearam com expressões do tipo “teoria de quem não está na sala de aula”, “o colégio X e Y não trabalha divisão com alunos tão pequenos”, “eles não têm maturidade para compreender a divisão”.
Se professor tem resistência a pensar novas propostas, como pode propor ao aluno novas perspectivas? Ainda vemos professores enraizados em conceitos como se fossem imutáveis e o argumento para esta resistência é a sua experiência profissional. Fica muito difícil argumentar com quem não se propõe nem a pensar em novos conceitos. Quem é o professor para esta pessoa? Como ela pode fazer parte do processo de construção da aprendizagem de um aluno se para ela só existe um caminho, uma verdade? Se ela acha que já sabe tudo, ela acha que não precisa aprender mais. Então, para esta pessoa, aprender com o aluno é algo inimaginável, impossível. É claro que a experiência profissional é muito importante, mas não pode sedimentar conceitos.
Bem, porque contei toda esta história? Para dizer que fico triste por ver colegas presas a conceitos. Por outro lado, dentro de mim, me senti ENORME e ao mesmo tempo tão leve, capaz de voar, por me sentir pronta para rever conceitos, propor, arriscar, aprender, ressignificar... Acima de tudo confiante na aprendizagem deste curso. O embasamento teórico, nossas trocas e tudo mais que acontece me proporcionou uma outra visão. Rever conceitos não significa insegurança ou mudança de uma coisa errada para certa, rever conceitos é ler o mundo que está acontecendo.